Condições para a doação de sangue

|MEDICINA TRANSFUSIONAL|


GENERALIDADES


A seleção criteriosa de candidatos a doadores de sangue é fundamental no processo de obtenção de componentes sangüíneos, a fim de evitar riscos ao receptor de transfusão que não sejam os inerentes à terapêutica.

Agência Nacional de Vigilância Sanitária, considerando a necessidade de revisar a Portaria 1376 de Novembro de 1993 (Tópico de Patologia Clínica T8 - O Doador de Sangue) atualizou, através da Regulamentação RDC 153, de Junho de 2004, os critérios para a seleção de candidatos a doadores de sangue. Entre os requisitos básicos, de caráter obrigatório, cita-se:

• Idade
Os candidatos à doação devem ter entre 18 e 65 anos.

• Freqüência e intervalo entre as doações
A freqüência máxima admitida é de quatro doações anuais, para os homens, e de três doações anuais, para as mulheres. O intervalo mínimo entre duas doações deve ser de dois meses, para os homens, e de três meses, para as mulheres.

Em caso de doador autólogo, a freqüência de doações é programada de acordo com o protocolo aprovado pelo responsável técnico do Serviço de Hemoterapia.

• Jejum
Períodos de jejum superiores a quatro horas são desaconselhados. A refeição que antecede a doação não deve ser rica em gorduras.

• Transfusão prévia
Os candidatos que tenham recebido transfusões de sangue, componentes sanguíneos ou hemoderivados nos últimos 12 meses devem ser excluídos da doação.

• Doenças atuais ou anteriores
Candidatos com infecção atual ou história prévia de Hepatite B e C, HIV, HTLV I/II, doença de Chagas, Sífilis (fase aguda até um ano após a cura), doença hematológica, cardíaca, renal, pulmonar, hepática, auto-imune, diabetes tipo I, diabetes tipo II com lesão vascular, hipertireoidismo, hanseníase, tuberculose, câncer, doenças atópicas graves como asma e bronquite, sangramento anormal, convulsões após os dois anos de idade, e epilepsia são excluídos definitivamente da doação. Candidatos que informem outras doenças são avaliados e podem ser excluídos temporária ou definitivamente da doação. Entre as doenças que contra-indicam temporariamente a doação de sangue incluem-se os processos alérgicos leves, lesões dermatológicas e diabetes tipo II não controlada.

• Uso de medicamentos
A história terapêutica recente é avaliada pelo Serviço de hemoterapia uma vez que tanto a indicação do tratamento, assim como o próprio tratamento, pode motivar a rejeição, de forma temporária ou definitiva, do candidato à doação.

• Vacinação
O tempo de inaptidão para doação depende da imunização recebida:

- Vacina para Gripe, BCG e Rubéola: 4 semanas
- Poliomielite, Febre amarela e Sarampo: 3 semanas
- Hepatite B e Tétano: 48 horas

• Gravidez e puerpério
Estão impedidas de doar as gestantes, puérperas e mulheres em período de lactação (a menos que o parto tenha ocorrido há mais de 12 meses). A candidata deve ser excluída por 12 semanas após um abortamento. A menstruação não contra-indica a doação.

• Atividades de risco e trabalho noturno
São excluídos de doação os profissionais que não tenham repousado após trabalho noturno, bem como pessoas com atividade de risco que não tenham condições de interromper as atividades profissionais por 24 h após a doação.

• Alcoolismo
Qualquer evidência de alcoolismo agudo ou crônico é causa de rejeição. O alcoolismo agudo contra-indica a doação por 12 horas. O alcoolismo crônico é causa de inaptidão definitiva.

• Situações de risco associadas a estilo de vida

- História atual ou pregressa de uso de drogas injetáveis ilícitas e a presença de sinais sugestivos do uso repetido de drogas parenterais ilícitas determinam a rejeição definitiva do doador.

- São inabilitados por 12 meses os candidatos que tenham colocado piercing, realizado tatuagem ou fizeram uso de cocaína.

- São inabilitados por 12 meses após a cura, os candidatos a doador que tiveram alguma Doença Sexualmente Transmissível - DST.

- São inabilitados por um ano, os candidatos que, nos 12 meses precedentes, tenham sido expostos a situações associadas ao risco de infecção por HIV.


Avaliação clínica e laboratorial para a doação de sangue
Visando a segurança do doador e a garantia da qualidade do sangue a ser transfundido, o processo de doação de sangue exije uma seqüência de passos que envolve o preenchimento de um questionário, com questões concernentes ao estilo de vida e exposição a doenças infecto contagiosas entre outras, a realização de uma entrevista e uma avaliação clínico-laboratorial.

O candidato à doação deve apresentar:- aspecto saudável e manifestar sentir-se bem;

- Peso igual ou superior a 50 Kg. Não devem ser aceitos como doadores os candidatos que refiram perda de peso inexplicável e superior a 10% do peso corporal, nos três meses que antecedem a doação;

- Temperatura axilar inferior a 37ºC;

- Pressão arterial sistólica entre 90 e 180 mm Hg e diastólica entre 60 e 100 mm Hg;

- Freqüência cardíaca não inferior a 60 bpm;

- Hematócrito (ou hemoglobina) maior ou igual a 38% (12,5 g/dL) para mulheres e maior ou igual a 39% (13,0 g/dL) para homens.

Após a doação, o doador deverá registrar, através do preenchimento de um voto de auto-exclusão, a recomendação de que o sangue doado seja transfundido. Independentemente do indicado no voto, segue-se a etapa de análise laboratorial do sangue doado, quando são realizados testes sorológicos para doença de Chagas, Hepatites B e C, Sífilis, HIV l/ll, HTLV l/ll e testes imuno-hematológicos (tipagem sangüínea e pesquisa de anticorpos irregulares. Declarada, através do voto de auto-exclusão, a intenção do doador de que seu sangue seja transfundido e, assegurada a negatividade dos testes sorológicos, o sangue doado estará liberado para os testes de compatibilidade com o receptor. Caso o doador auto-exclua a sua doação, o sangue doado é descartado.

A Secretaria de Saúde do Estado do Rio Grande do Sul instituiu uma lista de impedimentos à doação onde consta o nome de doadores que, por algum motivo, encontram-se temporária ou definitivamente impedidos de doar sangue. Esta lista, atualizada regularmente, é de consulta obrigatória pelos Serviços de Hemoterapia.

A adequada seleção de doadores de sangue é imprescindível para a garantia da qualidade do sangue a ser transfundido.

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LEITURA SUGERIDA

1) RDC nº 153, de 14 de junho de 2004. Disponível em http://www.anvisa.gov.br

Acessado em Abril, 2006.
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Autor:
Dário Brum


Data: Março-Abril/2006 __________________________________________________________
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