Dengue

|IMUNOLOGIA|


GENERALIDADES


A dengue é uma infecção aguda causada por um flavivírus transmitido pelo Aedes aegypti, principal mosquito vetor. É uma doença de evolução benigna na forma clássica, e grave na forma hemorrágica.

São conhecidos quatro sorotipos distintos (1, 2, 3 e 4). A imunidade, de longa duração e sorotipo específica, adquirida após uma infecção primária, não confere proteção contra reinfecções com sorotipos diferentes daquele que produziu a infecção.

No Brasil, foram registradas várias epidemias a partir de 1986, e já foram identificados os sorotipos 1, 2 e 3.

Fatores epidemiológicos (como a exposição em regiões endêmicas) e dados clínicos e laboratoriais devem ser considerados no diagnóstico da dengue.


DIAGNÓSTICO LABORATORIAL


O diagnóstico laboratorial é realizado através da pesquisa de anticorpos específicos das classes IgG e IgM.

Na infecção primária, os anticorpos IgM aparecem de 5 a 7 dias após o início dos sintomas (amostras coletadas antes deste período podem ocasionar resultados falso-negativos) e permanecem por cerca de 2 a 3 meses; os anticorpos IgG aparecem após 7 a 10 dias e podem permanecer presentes por toda a vida.

A presença isolada de anticorpos IgM e/ou a soroconversão de anticorpos IgG indica infecção primária.

Na reinfecção, os anticorpos IgM estão presentes na maioria dos casos. A presença isolada dos anticorpos IgG pode indicar reinfecção ou infecção pregressa.

Devido à possibilidade de resultados falso-positivos decorrentes da presença de outras viroses, a pesquisa de anticorpos IgM deve ser solicitada apenas na vigência de forte suspeita de infecção.

A determinação do sorotipo causador da infecção é importante apenas para fins epidemiológicos, já que não influencia a apresentação clínica ou o tratamento.


OUTROS ACHADOS LABORATORIAIS

Dengue clássica - a leucopenia é um achado comum, embora possa ocorrer leucocitose. Linfocitose com atipia linfocitária e trombocitopenia são observadas ocasionalmente.

Dengue hemorrágica -
a linfocitose com atipia linfocitária, trombocitopenia (plaquetas inferior a 100.000/mm3) e hemoconcentração (hematócrito 20% superior ao nível basal) são achados freqüentes. Outras alterações, como o aumento do tempo de protrombina, da tromboplastina parcial, diminuição do fibrinogênio, hipoalbuminemia e aumento da alanina aminotransferase (ALT) são observadas.


TÉCNICA UTILIZADA E RESULTADOS


A pesquisa de anticorpos IgM e IgG anti-dengue é realizada por enzimaimunoensaio qualitativo e o resultado é expresso como reagente, não-reagente e inconclusivo. Amostras com resultado inconclusivo devem ser repetidas em uma semana para esclarecimento sorológico.

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LEITURAS SUGERIDAS

1) ACOSTA, L.M.W. et al. Evitar o dengue autoctone: responsabilidade de todos.
In: Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre. Boletim epidemiológico. (14): 1-2, 2002.

2) GUZMAN, M.G. & KOURI, G. Dengue: an update. In: The Lancet. 2(1): 1-34, 2002.

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Autor: Rejane Maria Oravec
Contato: roravec@weinmann.com.br

Data: Abril-Junho/2002
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