Detecção de enteropatógenos virais por metodologia molecular

|BIOLOGIA MOLECULAR|


GENERALIDADES


A gastroenterite viral, associada a elevado índice de morbi-mortalidade infantil, é a segunda maior causa de doença viral, após as infecções respiratórias. A transmissão dos vírus entéricos, responsáveis por surtos e casos esporádicos de gastroenterites, principalmente em crianças, adolescentes e pacientes imunossuprimidos, ocorre por via fecal-oral e por ingestão de água e alimentos contaminados e caracteriza-se por um padrão de distribuição sazonal, com maior prevalência nos meses de final de inverno. Entre os enteropatógenos virais, o rotavírus é reconhecido como o agente etiológico mais freqüentemente associado a episódios de gastroenterites de maior gravidade em crianças com menos de dois anos de idade. Outros agentes, como os adenovírus entéricos, associados à infecção aguda e a quadro de portador assintomático, e os norovírus e astrovírus, mais freqüentemente relacionados a surtos alimentares, são descritos como importantes causas de gastroenterites agudas. Devido a sua grande variabilidade gênica, os norovírus são responsáveis por gastroenterites de repetição.

Os dados da vigilância epidemiológica do Programa de Monitoramento de Doenças Diarréicas Agudas do Centro Estadual de Vigilância em Saúde do Estado do Rio Grande do Sul indicam que, entre os casos notificados, os rotavírus, os norovírus e os astrovírus são os agentes epidemiológicos mais freqüentemente associados aos casos de gastroenterites virais e destes, o rotavírus é o de maior distribuição geográfica e o norovírus o de maior incidência no Estado.

Distintas metodologias, como a microscopia eletrônica, os imunoensaios e, mais recentemente, as técnicas moleculares são empregadas na detecção dos agentes virais associados a gastroenterites. Entre elas, as técnicas moleculares têm contribuído de maneira decisiva para o diagnóstico etiológico das doenças gastroentéricas.


METODOLOGIA


Tradicionalmente a microscopia eletrônica foi utilizada como técnica de eleição para detectar partículas virais em amostras fecais de indivíduos sintomáticos. Entretanto, o método apresenta baixa sensibilidade e não está amplamente disponível em laboratórios de rotina. A introdução de testes imunodiagnósticos, como os de aglutinação e de enzimaimunoensaio, implementou a detecção de antígenos virais em fezes, no entanto, apesar de específicos, apresentam sensibilidade variável em função da elevada diversidade antigênica das cepas circulantes.

A disponibilidade de técnicas moleculares, mais sensíveis do que as anteriormente citadas, possibilitou a detecção de um número crescente de agentes virais e a identificação de subtipos, até então não diagnosticados como, por exemplo, o rotavírus do grupo C.

Várias técnicas moleculares têm sido desenvolvidas para o diagnóstico de vírus entéricos, entre elas, a Reação da Transcriptase Reversa, que permite a conversão do RNA viral em DNA complementar, associada à Reação em Cadeia da Polimerase em Tempo Real (Real-Time PCR), abordada detalhadamente no Tópico de Patologia Clínica - BM12 (PCR Quantitativo em Tempo Real), tem sido considerada a técnica de eleição para a detecção dos agentes virais associados a gastroenterites.

Em um estudo realizado em nosso serviço de Biologia Molecular, no período de Outubro de 2006 a Junho de 2007, com o objetivo de conhecer a freqüência de norovírus e rotavírus, por método molecular, em amostras fecais ambulatoriais que ingressaram para a pesquisa de rotavírus por método imunológico, encontrou-se uma prevalência de 9,4% para rotavírus e de 15,1% para norovírus. Neste mesmo período, a prevalência de rotavírus por método imunológico foi de 5,6%.

A introdução de técnicas moleculares, além de aumentar a sensibilidade de detecção dos enteropatógenos virais, proporciona informações de relevância epidemiológica, uma vez que em nosso Estado, o papel do rotavírus e do norovírus como agentes causais de gastroenterites está bem estabelecido, porém relatos de associação com outros agentes virais, envolvidos em casos de diarréias agudas, ainda são limitados.


RESULTADOS


Os resultados são expressos como positivo ou negativo para o agente viral pesquisado.

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LEITURAS SUGERIDAS

1) Castilho JG, Munford V, Resque HR, Fagundes-Neto U, Vinjé J, et al. Genetic diversity of norovirus among children with gastroenteritis in São Paulo state, Brazil. J Clin Microbiol. 44 (11): 3947-3953, 2006. Disponível em: http://www.icb.usp.br/~mlracz/papers/3947.pdf. Acessado em Julho, 2007.

2) Logan C, O´Learu J, O´Sullivan N. Real time reverse transcription-PCR for detection of rotavirus and adenovirus as causative agents of acute viral gastroenteritis in children. J Clin Microbiol. 44(9): 3189-3196, 2006. Disponível em: http://jcm.asm.org/cgi/content/full/44/9/3189. Acessado em Julho, 2007.

3) Site Oficial do Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Acessado em Julho, 2007. Disponível em: http://www.estado.rs.gov.br/master.php?capa=1%C3%A2%C2%88%C2%AB=noticia&notid=53412&pag=190&editoria=&orig=1

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Autores: Diogo André Pilger e Vlademir Cantarelli
Contato: dpilger@weinmann.com.br

Data: Julho-Agosto/2007
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