Detecção de vírus respiratórios por metodologia molecular

|BIOLOGIA MOLECULAR|


GENERALIDADES

Os vírus respiratórios, reconhecidos como os patógenos mais freqüentemente associados a infecções agudas do trato respiratório inferior, são responsáveis por um elevado índice de morbidade em crianças no primeiro ano de vida, adultos imunocomprometidos e idosos.

Dentre os agentes etiológicos virais, o adenovírus, influenza A e B, parainfluenza 1, 2, 3 e 4, rinovírus e, principalmente, o vírus sincicial respiratório, destacam-se por serem os mais importantes causadores dessas infecções. A reinfecção e a co-infecção com outros agentes virais ou bacterianos são freqüentes, principalmente em pacientes imunocomprometidos.

O vírus sincicial respiratório é o principal agente etiológico envolvido nas infecções respiratórias no primeiro ano de vida, podendo ser responsável por até 75% das bronquiolites e 40% das pneumonias durante o período de sazonalidade (picos de incidência no inverno e início da primavera com duração de cerca de 4 a 6 meses).

Nos últimos anos, com a utilização de técnicas mais sensíveis, outros agentes virais, como o metapneumovírus humano e o bocavírus humano, têm sido identificados e relacionados com infecções e co-infecções do trato respiratório inferior.

Distintas metodologias, como o isolamento em cultura de células, a detecção de antígenos virais e, mais recentemente, as técnicas moleculares são empregadas na detecção dos agentes associados a infecções respiratórias. Entre elas, as técnicas moleculares têm contribuído de maneira decisiva para a rápida identificação do agente viral associado a infecções respiratórias agudas, viabilizando a pronta adoção de medidas terapêuticas e a definição de estratégias preventivas que evitem a disseminação dessa doença de elevada transmissibilidade.


METODOLOGIA

O isolamento em cultura de células, com posterior identificação viral, é considerada a metodologia de referência para a pesquisa de vírus respiratórios. Apesar de altamente especifica, apresenta baixa sensibilidade, relacionada à baixa viabilidade de alguns vírus labéis, como o vírus respiratório sincicial, e a perda de infectividade viral em infecções com alguns dias de duração. Além da baixa sensibilidade, as dificuldades de cultivo e o tempo necessário para a realização do isolamento tornam a metodologia pouco viável para a aplicação na rotina.

A imunofluorescência indireta é a técnica mais utilizada para a detecção de antígenos virais em aspirado de nasofaringe ou lavado bronco alveolar. É um método rápido, sensível e específico que permite a detecção simultânea do vírus respiratório sincicial, adenovírus, influenza A e B e o parainfluenza 1, 2 e 3 simultaneamente. Variáveis relacionadas com o momento de obtenção da amostra no curso da infecção e com o método de coleta e preparação de amostras podem interferir na sensibilidade de detecção.

A metodologia molecular que mais tem evoluído para a identificação viral é a Reação em Cadeia da Polimerase em Tempo Real (PCR em Tempo Real), abordada detalhadamente no Tópico de Patologia Clínica - BM12 (PCR Quantitativo em Tempo Real). Essa metodologia, além de mais sensível e específica do que a imunofluorescência indireta, possibilita a identificação simultânea de diferentes agentes virais associados a infecções agudas do trato respiratório e a detecção de uma diversidade maior de agentes infecciosos, como o rinovírus, metapneumovírus humano e bocavírus humano, não disponíveis por outras metodologias.


COLETA DE AMOSTRAS E RESULTADOS

Coleta de Amostras

Assim como para a imunofluorescência indireta, o aspirado de nasofaringe e o lavado bronco alveolar são as amostras recomendadas para a pesquisa de vírus respiratórios por métodos moleculares, podendo ser coletados em nível ambulatorial. Amostras coletadas com swabs de nasofaringe diminuem a sensibilidade de detecção dos testes.

Resultados

Os resultados são expressos como positivo ou negativo para o agente viral pesquisado. São pesquisados, simultaneamente, os vírus influenza A e B, vírus respiratório sincicial, parainfluenza 1, 2 e 3, adenovírus, rinovírus, metapneumovírus humano e bocavírus humano.

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LEITURAS SUGERIDAS


1) Gillim-Ross L, Subbarao K. Emerging respiratory viruses: challenges and vaccine strategies. Clin Microbiol Rev. (19): 614-636, 2006. Disponível em: http://cmr.asm.org/cgi/reprint/19/4/614.pdf. Acessado em Novembro/2007.

2) Kuypers J, Wright N, Ferrenberg J, Meei-Li H, Cent A, et al. Comparison of real-time PCR assays with fluorescent-antibody assays for diagnosis of respiratory virus infections in Children. J Clin Microbiol. (44): 2382-2388, 2006. Disponível em: http://jcm.asm.org/cgi/content/full/44/7/2382. Acessado em Novembro/2007.

3) Nolte F, Marshall D, Rasberry C, Schievelbein S, Banks G, et al. Prudent MultiCode-PLx system for multiplexed detection of seventeen respiratory viruses. J Clin Microbiol. (45): 2779-2786, 2007. Disponível em: http://jcm.asm.org/cgi/content/full/45/9/2779. Acessado em Novembro/2007.
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Autor: Diogo André Pilger
Contato: dpilger@weinmann.com.br

Data:
Setembro-Outubro/2007
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