Imunofenotipagem das leucemias agudas

|HEMATOLOGIA|


GENERALIDADES


As leucemias agudas são neoplasias hematológicas que se caracterizam pela presença de células pouco diferenciadas ou indiferenciadas, no sangue periférico e/ou medula óssea, que expressam antígenos citoplasmáticos ou de membrana característicos de sua linhagem e estágio de maturação. A análise da expressão destes antígenos celulares, através de imunofenotipagem por citometria de fluxo, possibilita a determinação da linhagem celular envolvida (linfóide ou mielóide), a caracterização do estágio de maturação celular, a monitorização da evolução clínica e a avaliação prognóstica de pacientes com leucemia.

Além de determinar a linhagem comprometida, a imunofenotipagem é útil para diferenciar os subtipos de Leucemias Linfóides e Mielóides Agudas e caracterizar as leucemias bifenotípicas (que expressam antígenos tanto de linhagens linfóides quanto mielóide).

Os aspectos metodológicos da imunofenotipagem por citometria de fluxo, utilizando anticorpos monoclonais para a identificação de diferentes antígenos celulares, foram abordados no Tópico de Patologia Clínica-H18 (Imunofenotipagem de Doenças Linfoproliferativas).

MARCAÇÃO IMUNOFENOTÍPICA DE LEUCEMIAS AGUDAS

A caracterização imunofenotípica das leucemias agudas inicia-se pela identificação da linhagem celular envolvida. Para esta finalidade, utilizam-se marcadores mielóides (MPO, CD13 e CD33) e linfóides (CD3, CD79a, CD10, CD19 e cTdT) específicos. Na seqüência, selecionam-se os marcadores a serem utilizados de acordo com a linhagem celular inicialmente identificada.

Marcadores para caracterização de linhagem mielóide:

- Precursores hematopoéticos (CD117 e CD34);
- Granulócitos (CD13, CD15, CD33) e monócitos (CD14 e CD33);
- Precursores eritróides (Glicoforina A) e megacariocíticos (CD41, CD42 e CD61).

Marcadores para caracterização de linhagem linfóide:

- Linfócitos B (CD19, CD20 e CD22);
- Linfócitos T (CD2, CD3, CD5 e CD7).

A inclusão de um maior número de marcadores aumenta a probabilidade de localizar um clone anormal.

Devido à ocorrência de fenótipos aberrantes e a grande variabilidade na expressão dos CD, não existe uma expressão característica única para as leucemias agudas.

Informações clínicas (história e exame físico) e laboratoriais (hemograma e medulograma) são dados relevantes na interpretação dos achados imunofenotípicos.

AMOSTRAS CLÍNICAS

A imunofenotipagem pode ser realizada em amostras de sangue periférico, de aspirado medular e em outros materiais como líquor, líquido pleural e de ascite.

RESULTADOS

O laudo descreve a amostra analisada, as populações celulares estudadas, a percentagem de células que expressam determinado CD e, sempre que possível, sugere a patologia envolvida.
O exemplo apresentado a seguir descreve um modelo de resultado sugestivo de Leucemia Mielóide Aguda.

MODELO DE RESULTADO

Material Analisado:

Medula Óssea

População Analisada:

Região de células imaturas

Marcadores:

CD34: 30%
CD33: 45%
CD13: 35%
CD3: Negativo
CD10: Negativo
CD14: 10%
HLA DR: 50%
CD15: Negativo
Glicoforina A: Negativo
CD61: Negativo
CD117: 25%
CD15: Negativo


Conclusão: Há uma população de células imaturas de 30% que expressam os marcadores CD34, CD117, CD33 e HLA DR sugestivos de Leucemia Mielóide Aguda.

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LEITURAS SUGERIDAS

1) RUIZ-ARGÜELLES, A. et al. Primera conferencia latinoamericana de consenso en la tipificación inmunológica de leucemias. In: Ver. Invest Clin. 49(4): 317-322, 1997.

2) PARASKEVAS,F. Clinical flow cytometry. In: GREER, J.P. et al. Wintrobe’s clinical hematology. 11thed. p. 99-130,2004.

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Autor: Diogo André Pilger
...........Flavo Fernandes
...........Francisco Carlos Silva

Contato:
ffernandes@weinmann.com.br
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Data: Março-Abril/2004