Acinetobacter e Infecção Hospitalar: Diagnóstico Laboratorial

|MICROBIOLOGIA|


GENERALIDADES


Os microrganismos do gênero Acinetobacter são bacilos Gram-negativos não-fermentadores que se apresentam como coco-bacilos na fase estacionária de crescimento e em meios não seletivos. São bactérias de vida livre amplamente encontradas na natureza. Assumem uma importância crescente no ambiente hospitalar, sobrevivendo em superfícies úmidas ou secas e colonizando a pele de pacientes e da própria equipe de saúde, principalmente suas mãos.

Em uma bancada, uma colônia de Acinetobacter sp. sobrevive por até 9 dias, enquanto que uma colônia de Pseudomonas aeruginosa permanece viável por apenas um dia. A colonização da pele e mucosas muitas vezes precede a ocorrência de infecção, especialmente em pacientes hospitalizados.

Dentre as diversas espécies descritas, o complexo Acinetobacter calcoaceticus/ Acinetobacter baumannii é o mais encontrado em amostras clínicas, especialmente as relacionadas com infecções hospitalares.

Esse microrganismo tornou-se reconhecido como patógeno envolvido em surtos de infecção hospitalar (infecções respiratórias e bacteremias), principalmente em unidades de tratamento intensivo, onde desenvolvem rapidamente resistência à maioria dos antimicrobianos sendo associados a alto índice de mortalidade.

Durante a última década o tratamento dessas infecções tem se tornado crítico em função do surgimento de cepas pan-resistentes (resistentes a todos antimicrobianos exceto à polimixina) associadas à contaminação de equipamentos hospitalares ou transmitidas por contato por pessoas colonizadas da equipe assistencial. A emergência da resistência aos carbapenêmicos tem limitado as opções terapêuticas para o tratamento dessas infecções à ampicilina-sulbactam (sensibilidade variada) e polimixinas. Um surto de Acinetobacter sp. pan-resistente ocorreu na cidade de Porto Alegre entre 2007 e 2008 com mais de 700 casos notificados à Secretaria Municipal de Saúde por diversos hospitais.

CULTURA DE VIGILÂNCIA DE PACIENTES

Há escassas evidências sustentando a adoção de estratégias de vigilância da colonização por Acinetobacter sp. Tendo em vista a baixa sensibilidade do método, a realização de culturas de vigilância de rotina em todos os pacientes que são admitidos em unidades hospitalares somente são recomendadas em situação de surto e para fins de pesquisa. Os sítios de coleta sugeridos incluem: swab de pele (testa, axilas, região inguinal, fossa antecubital, perianal), swab de faringe, sítio de acesso vascular entre outros.

CULTURA DE VIGILÂNCIA DE AMBIENTE

As culturas de vigilância em ambiente devem ser realizadas em situações de surtos hospitalares visando identificar potenciais focos de disseminação ambientais. Não há estudos documentando adequadamente a realização de estratégias dessa natureza para Acinetobacter sp. Exemplos de fontes comuns de contaminação dos pacientes são aparelhos de RX, aparelhos de ecografia, aparelhos de ventilação mecânica, nebulizadores, estetoscópios e termômetros.

METODOLOGIA

A fim de isolar apenas o microrganismo Acinetobacter sp. o swab é semeado em um caldo de cultura “Brain Heart Infusion” adicionado de uma associação de antibióticos para inibição de flora competitiva de Gram-positivos e Gram-negativos e incubado em estufa bacteriológica por 12 a 24 horas. Após a incubação, o caldo é semeado em meio de cultura ágar sangue e incubado por mais 24-48h. O crescimento de colônias suspeitas de Acinetobacter sp. são encaminhadas para identificação do germe por métodos automatizados com antibiograma por disco de difusão. A realização deste processo leva em média 72h.

RESULTADO

Os resultados são fornecidos como negativo ou positivo com antibiograma. Os casos positivos são notificados ao Serviço de controle de infecção hospitalar.

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LEITURAS SUGERIDAS

1) Manual de orientação para controle da disseminação de Acinetobacter sp resistente a carbapenêmicos no Município de Porto Alegre. Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde. 2007

2)
Dalla-Costa, LM et al. Outbreak of carbapenem-resistant Acinetobacter baumannii producing the OXA-23 enzyme in Curitiba, Brazil. J. Clin Microbiol. 2003 41(7):3403-6. http://jcm.asm.org/

3)
Peleg, AY; et al. Acinetobacter baumannii: Emergence of a successful pathogen. Clin. Microbiol. Rev. 2008 21(3):538-582.
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Autor: Carina Secchi
Contato: csecchi@weinmann.com.br

Data:
Jan / 2009

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