Amplificação e detecção de ácidos nucléicos na triagem de doadores de sangue

GENERALIDADES 
 
Agente Janela Imunológica
(dias)
Risco Residual (por
doação)
Triagem
Sorológica
NAT Triagem
Sorológica
NAT
HCV 70-80 41-60 1:276 mil 1:2,0 milhões
HIV 16-22 10-15 1:1,5 milhões 1:2,0 milhões
HBV 45-56 06-15 1:220 mil 1:2,0 milhões

A triagem sorológica sistemática para o vírus da Hepatite C (HCV), para o vírus da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida tipo I e II (HIV I/II) e para o vírus da Hepatite B (HBV), associada à seleção clínico-epidemiológica de candidatos à doação de sangue, reduz a possibilidade de transmissão de doenças infecciosas por meio transfusional.

Apesar da triagem sorológica, a possibilidade da existência de doadores recentemente infectados que não desenvolveram níveis de anticorpos suficientes para serem detectados pelos testes sorológicos (período da janela imunológica) aumenta o risco residual de transmissão transfusional. Nesse período, que antecede à soroconversão, a carga viral plasmática é, geralmente, alta. A introdução de metodologias que permitem a detecção direta do agente infectante, como a técnica de amplificação e detecção de ácidos nucléicos (NAT - Nucleic Acid Technique) reduz o risco de transmissão de infecção viral associado ao período da janela imunológica.

Embora os dados da literatura não sejam conclusivos, estima-se que a introdução do NAT diminua o período da janela imunológica e o risco residual de infecção viral por transfusão, conforme os dados apresentados a seguir.



Agente Janela Imunológica
(dias)
Risco Residual (por
doação)
Triagem
Sorológica
NAT Triagem
Sorológica
NAT
HCV 70-80 41-60 1:276 mil 1:2,0 milhões
HIV 16-22 10-15 1:1,5 milhões 1:2,0 milhões
HBV 45-56 06-15 1:220 mil 1:2,0 milhões

Fonte: adaptado de Transfusion 40:143-159, 2000 e Transfusion 43:721-729, 2003.
 

Considerando que a introdução do NAT promove o aumento da segurança transfusional, o Ministério da Saúde, através da portaria n° 112/Gm de 29 de Janeiro de 2004, determinou a implantação gradativa da realização dos testes de amplificação e de detecção de ácidos nucléicos, para HIV e para HCV, na triagem de todas as amostras de candidatos à doação de sangue em todos os Serviços de Hemoterapia públicos, filantrópicos e privados.
METODOLOGIA
Inúmeras técnicas moleculares podem ser empregadas para a detecção de infecções por HIV, HCV e HBV. Entre elas, a Reação em Cadeia da Polimerase em Tempo Real (Real -Time PCR), abordada detalhadamente no Tópico de Patologia Clínica - BM12 (PCR Quantitativo em Tempo Real). A PCR em tempo real associa a metodologia de PCR convencional a um sistema automatizado que permite a quantificação de sinais fluorescentes produzidos durante os ciclos de amplificação do DNA viral. A fluorescência gerada no processo é proporcional à quantidade de DNA viral formado nos ciclos de amplificação que, por sua vez, é proporcional à quantidade inicial de DNA viral presente na amostra analisada.

Para a triagem de amostras de doadores de sangue, utiliza-se a metodologia qualitativa que indica, baseada na amplificação ou não de material genético viral, a presença de DNA viral na amostra analisada.

A realização do teste de amplificação e detecção de ácidos nucléicos, associada à triagem sorológica e a adequada seleção de candidatos a doadores de sangue, reduz o risco da transmissão de doenças infecciosas promovendo a melhoria da segurança transfusional.