Citometria de fluxo em urinálise

|BIOQUÍMICA|


GENERALIDADES


O exame qualitativo da urina (EQU) permite avaliar múltiplas funções metabólicas do organismo, bem como diversos distúrbios renais e do trato urinário. Trata-se de um exame simples e de baixo custo capaz de fornecer muitas informações relevantes, tornando-se um método muito valioso de triagem metabólica, de patologias renais e genito-urinárias. Na realização deste exame é necessária a realização de etapa de microscopia que, por se tratar de técnica semi-quantitativa, é passível de alta variabilidade analítica. Para minimizar esta variabilidade, um dos métodos utilizados é a citometria de fluxo urinária.


CITOMETRIA DE FLUXO


A técnica de citometria de fluxo já é empregada em diversos exames laboratoriais. Na hematologia é a metodologia utilizada para a realização do hemograma automatizado, permitindo uma contagem precisa das células sanguíneas e contagem diferencial dos leucócitos. Pode ser empregada para avaliação celular de líquidos biológicos e realização de imunofenotipagem para classificação de leucemias.

A citometria de fluxo é um processo no qual células ou outras partículas em suspensão são forçadas a passar num capilar muito fino, a uma velocidade extremamente elevada. Esse fluxo capilar é analisado por sensores que são capazes de determinar algumas características físicas ou químicas das células ou partículas. São analisadao em média mais de 2.000 elementos por segundo, o que permite uma avaliação mais rápida e precisa do que a microscopia convencional.

Na citometria de fluxo urinária, o DNA e as membranas dos elementos presentes na urina são corados por fluorescência, sendo as células e bactérias identificadas pelo seu volume e complexidade celular através de impedância e dispersão da luz.

Equipamentos de citometria urinária permitem contagens de leucócitos, hemácias, células epiteliais escamosas, cilindros hialinos e bactérias, além de assinalar a presença de cilindros patológicos, células de levedura, células dos túbulos renais, espermatozóides e cristais.

Outras vantagens do uso de citometria urinária incluem a eliminação de algumas etapas e variáveis inerentes ao teste manual, tais como a centrifugação, decantação, preparação da lâmina e análise microscópica, contribuindo para a eliminação de fontes de erro. Essa tecnologia permite a liberação automática em cerca de 75 a 80% das amostras, sendo que as restantes devem ser revisadas pelo analista através de microscopia convencional, para obter-se a determinação de achados como cilindro patológico e cristais. A utilização destes equipamentos permitiu um maior controle de qualidade, precisão, eficácia e obtenção de resultados padronizados e confiáveis.


VALORES DE REFERÊNCIA


A expressão do resultado utilizando a técnica da citometria é diferente quando comparada à microscopia convencional. Como a contagem é realizada em câmara de fluxo, utiliza-se a unidade células / µL.

Comparação entre os valores de referência de ambos os métodos:



Leucócitos
Hemácias
Cilindros Hialinos
Microscopia Convencional
<5 por campo
<3 por campo
≤3 por campo
Citometria
<20µl
<20µl
<1,5µl


A conversão dos valores obtidos por citometria para os valores obtidos por microscopia pode ser realizada utilizando-se um fator de conversão: Multiplica-se leucócitos e hemácias por 0,18 e cilindros por 2,90.
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LEITURAS SUGERIDAS

1. Urinálise: Comparação entre microscopia óptica e citometria de fluxo. Bottini, R.V. 2006. Disponível em: www.scielo.br/pdf/jbpml/v42n3/a03v42n3.pdf. Acessado em: Março/2009

2. Henry's Clinical Diagnosis and Management by Laboratory Methods. Richard A. McPherson 21a Ed. Saunders.

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Autores: Homero Machado
..............Gustavo Faulhaber
Contato: hmachado@weinmann.com.br

Data:
Abril / 2009
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