Aprimorando controle de qualidade analítico no laboratório clínico: comparação entre cartas de controle de Shewhart, Levey-Jennings e tempo-ajustadas

Cartas de controle são utilizadas como detectores de anormalidades estatísticas (causas assinaláveis) no processo que está sendo monitorado, visando evitar a geração de produtos (desse processo) defeituosos.

A seleção da carta de controle mais adequada é um ponto vital do controle estatístico do processo. O tipo de carta controle a ser utilizada depende principalmente da classificação do dado a ser controlado, o tipo de distribuição e o objetivo do controle a ser implantado. Selecionar o tipo incorreto de carta controle pode resultar em inúmeros falsos alarmes do sistema de controle, levando a infrutíferas e dispendiosas (tempo e custo) buscas de causas assinaláveis no processo.

Em razão da ampla variedade de cartas controles disponíveis, a seleção da opção mais adequada a cada situação pode se tornar um processo complexo e exigir conhecimento estatístico mais específico sobre cada uma destas opções de controle.

As cartas de controle atualmente em uso nos laboratórios clínicos são geralmente gráficos de Shewhart (1931) adaptados segundo Levey-Jennings (1950) e, mais tarde, por Henry e Segalove (1952). Cartas tipo Shewhart são de fácil utilização, porém não são os modelos mais acurados em razão de assumir independência, variância constante e normalidade dos dados. O modelo de Shewhart é, entretanto, relativamente acurado quando se deseja detectar alterações maiores na distribuição dos dados. Por outro lado, para detecção de pequenas variações a longo do tempo de coleta dos dados, o modelo de Shewhart é via de regra pouco eficaz. Nesses casos, modelos de cartas controle tempo-ajustadas podem se constituir em opção mais adequada. Outra desvantagem do modelo de Shewhart é que estes utilizam informação do processo apenas referente ao último ponto plotado no gráfico, ao contrário do modelo tempo-ajustado, onde observações prévias no desempenho do processo tem influência na probabilidade de futuros alertas relativos a pontos fora de controle.

OBJETIVO

Comparar o monitoramento do controle de qualidade analítico utilizando cartas de controle tradicionais de Shewhart, adaptadas segundo Levey-Jennings e tempo-ajustadas.

CASUÍSTICA E MÉTODOS

Utilizando como exemplo resultados diários de controle interno para o ensaio de TSH, comparamos as análises desses dados utilizando diferentes cartas de controle, tais como: modelo tradicional de Shewhart para dados individuais (média e amplitude variável: I-MR), Shewhart adaptado por Levey-Jennings e cartas tempo-ajustadas do tipo soma cumulativa (CuSum, V-Mask) e com médias móveis e ponderação exponencial (EWMA).

RESULTADOS

Resumo estatístico dos dados de controle interno

Estudo de Normalidade dos Dados
(Teste de Anderson-Darling)




DISCUSSÕES E CONCLUSÕES

A carta de Levey-Jennings apresentou apenas 1 “flag”, utilizando regras de Westgard (1-2s). A carta IMR detectou 2 pontos relativos a causas especiais no mesmo processo. As cartas de controle tempo-ajustadas detectaram, no mínimo, 7 “flags” no mesmo período de análise, sem a utilização de regras especiais de análise, frente aos limites de controle calculados através do software estatístico (Minitab). Os resultados demonstram um maior potencial de detecção de erros das cartas de controle tempo-ajustadas em razão de utilizarem dados históricos do período analisado no cálculo dos limites de controle, ao contrário dos modelos de Shewhart ou da adaptação de Levey-Jennings. Assim, a utilização de cartas do tipo tempo-ajustadas pode ser importante em muitas situações do controle de qualidade analítico no laboratório clínico, principalmente em ensaios onde há a necessidade de um monitoramento de pequenas variações na médias dos controles utilizados.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CALLEGARI-JACQUES, Sidia. Bioestatística. ArtMed, 2003.
WESTGARD, J. Combined Shewhart-Cusum control chart for improved quality control in clinical chemistry. Clin.Chem. Vol.23, No.10, 1977.
NEUBAUER, A. The EWMA control chart: proprieties and comparison with other quality-control procedures by computer simulation. Clin Chem. Vol.43. No.4. 1997.

AUTORIA

BERLITZ F.
Weinmann Laboratório - Porto Alegre, RS