Determinação de intervalos de referência para TSH utilizando amostras de rotina e algoritmo de exclusão de dados baseado em exames correlacionados

INTRODUÇÃO

O hormônio estimulador da tireóide (TSH) é um hormônio glicoproteico secretado pela hipófise anterior que regula a secreção dos hormônios da tireóide, triiodotironina (T3) e tiroxina (T4). Quando a função hipotalâmica-hiporfisária está intacta, pequenas alterações nas concentrações dos hormônios tireoideanos livres resultam em grandes alterações nas concentrações séricas de TSH, tornando este hormônio o melhor indicador de alterações discretas da produção tireoideana. Além disso, o TSH apresenta uma relação log-linear com as alterações do T4 livre, sendo estes os dois principais ensaios utilizados para avaliação da função tireoidiana.

O diagnóstico de alterações da tireóide depende diretamente da definição adequada dos valores de referência de TSH em população de indivíduos com função tireoidiana normal, sendo importante tanto no diagnóstico quanto no monitoramento de distúrbios da tireóide e das disfunções tireoideanas sub-clínicas.

Nas duas últimas décadas o limite superior de TSH foi reduzido de ~10 para ~4,5UI/mL(9). Ainda hoje, muitos laboratórios utilizam limites superiores entre 3,9 e 5,5UI/mL(5).

Entretanto, no estudo original de Whickham, foi encontrado um aumento do risco de hipotireoidismo em pessoas com níveis séricos de TSH >2.0UI/mL (11). A National Academy of Clinical Biochemistry (NACB) realizou um amplo estudo entre indivíduos eutireoideos que indicou que mais de 95% dos indivíduos normais tem níveis de TSH inferiores a 2,5UI/mL.

OBJETIVO

Estabelecer intervalos de referência para TSH no analisador ADVIA Centaur a partir de resultados de pacientes da rotina utilizando algoritmo de seleção de pacientes baseado em resultados de exames correlacionados.

CASUÍSTICA E MÉTODOS

Utilizamos resultados de TSH obtidos durante 3 meses na rotina do laboratório. Esses dados passaram por fases de exclusão sucessivas, mantendo resultados de TSH entre 0,30 a 6,99 mIU/mL, de pacientes com apenas 1 exame de TSH no período analisado, sem exames anteriores de TSH fora dos intervalos de referência da rotina e sem exames correlacionados (T3, T4 ou T4 livre) fora dos respectivos intervalos de referência. A amostragem final da triagem (n=10398) foi processada utilizando protocolos não-paramétrico e paramétrico transformado para determinação de intervalos de referência.

RESULTADOS





Estudo de estatístico para determinação de intervalos de
referência para TSH considerando 90% centrais da distribuição



Estudo de estatístico para determinação de intervalos de
referência para TSH considerando 90% centrais da distribuição


DISCUSSÃO E CONCLUSÕES

Os intervalos 95% e 90% centrais foram 0,61-5,42 e 0,77-4,67 na abordagem não-paramétrica, respectivamente. Na abordagem Paramétrica transformada, os intervalos 95% e 90% foram 0,62-5,26 e 0,75-4,55, respectivamente. Mesmo não tendo a seleção de pacientes ocorrido segundo normas recomendadas para determinação de intervalos de referência de TSH (Eutireoideos, com anticorpos anti-tireoglobulina e anti-tireoperoxidase negativos), o intervalo obtido para os 90% centrais (considerado mais adequado em razão da seleção dos pacientes não ter seguido critérios clínicos e também segundo análise estatística de distribuição dos dados, onde a mediana foi significativamente menor que o valor da média) dos dados estudados foi semelhante ao de outros estudos na literatura. Assim, podemos concluir que a utilização de amostras da rotina e triagem com exames correlacionados pode se constituir uma opção confiável e de baixo custo para estabelecimento de valores de referência, adequada para laboratórios clínicos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

KRATZSCH, J. et al. New reference intervals for thyrotropin and thyroid hormones based on NACB criteria and regular ultrasonography of the Thyroid. Clin. Chem., Vol. 51. No.8, 2005.
GROSSI et al.: The REALAB Project . A new method for the formulation of reference intervals from current data. Clinical Chemistry, v. 51, n. 7, p. 1232-40, 2005.


AUTORIA

VEIGA, R.; SILVEIRA, M.; BERLITZ, F.
Weinmann Laboratório - Porto Alegre,RS
fberlitz@weinmann.com.br