Diphyllobothrium latum: um patógeno emergente?

INTRODUÇÃO

O cestódeo Diphyllobothrium latum, conhecido como a tenia do peixe, causa a difilobotriase e ocorre em regiões onde lagos e rios coexistem com o consumo humano de peixe cru, mal cozido e defumado. Estas áreas são encontradas na Suíça, Alemanha, Finlândia, US, EUA, Argentina, Peru, Chile. Existem duas espécies na América do Sul: D. latum (Chile) e D. pacificum (Peru).

Os hospedeiros intermediários do parasita são crustáceos e peixes, sendo o homem o hospedeiro definitivo.

A infecção se dá por consumo de peixe cru ou mal cozido, sendo mais comum pelo salmão e a truta. Esta parasitose não é brasileira sendo que desde 2001 ocorrem relatos de caso no país.

OBJETIVO

Relatar a identificação de ovos e proglotes de Diphyllobothrium latum em quatro pacientes de um laboratório particular de Porto Alegre, RS, entre julho de 2004 a março de 2006.

MATERIAIS E MÉTODOS

O isolamento de ovos foi realizado através do método de sedimentação espontânea (Técnica de Lutz, 1919; Hoffman, Pons & Janer, 1934) em montagem de lâmina com Lugol e a análise macroscópica das fezes detectou a presença de proglotes (Figura 2) que foram analisados entre lâminas com ácido acético glacial a fim de clarificar as mesmas e melhorar a visualização do observador.







RESULTADOS


A microscopia das fezes demonstrou a presença de ovos ovais, com opérculo, tamanho médio de 64 X 45 µm, coloração castanha-amarelada em todas amostras dos pacientes (Figura 1). A presença de proglotes pequenas e largas foram detectada em apenas algumas amostras (Figura 2). Os pacientes em geral relatavam dores abdominais e um quadro sugestivo de parasitose, conforme relatos médicos. A maioria dos pacientes relatou consumo recente de peixe e um deles relatou viagens internacionais periódicas.

CONCLUSÕES

D. latum é o mais longo parasita humano, podendo chegar a 10 metros de comprimento e pode viver acima de 25 anos no hospedeiro. Os sintomas clínicos geralmente são dor abdominal, perda de peso, anorexia, náusea e vômitos, podendo também ser assintomáticos. Casos com prolongada infecção podem desenvolver anemia por deficiência de vitamina B12. Alguns estudos mostraram uma freqüência relativa de casos adquiridos durante viagens internacionais ou após o consumo de peixe importado.

Novas infecções humanas são reportadas regularmente em vários países não sendo claro se as fontes de infecção estão diminuindo ou se existe desconhecimento da infecção por não existir notificação compulsória em saúde pública.

Em zonas endêmicas ou nas que coexistem um reservatório animal e fatores de risco que mantenham o ciclo biológico desta zoonose, devem se aplicar medidas de controle e prevenção adequadas como o cozimento adequado da carne de peixe ou o congelamento por 7 dias a 20°C ou por 15hs a 35° C da carne crua, garantindo assim, uma estratégia de controle e impedimento da instalação deste helminto no Brasil.

BIBLIOGRAFIA

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Semenas,L; Kreiter, A; Urbanski, J. New cases of human diphyllobothriosis in Patagonia, Argentine. Rev. Saúde Publica. 35(2):214-216,. 2001.

SECCHI,C., BRODT,TCZ, CAVALCANTE,BC, CANTARELLI,V, INAMINE,E, PEREIRA,F.
Weinmann Laboratório - Porto Alegre,RS
csecchi@weinmann.com.br