Diagnóstico de Bordetella Pertussis por PCR

|BIOLOGIA MOLECULAR|


GENERALIDADES


Bordetella pertussis é o principal agente etiológico da coqueluche ou síndrome pertussis, uma doença infecciosa aguda transmissível que compromete especificamente o aparelho respiratório (traquéia e brônquios). Além de complicações respiratórias, a B. pertussis pode causar, com menor freqüência, problemas neurológicos.

A B. pertussis transmite-se principalmente por contato direto entre indivíduo susceptível e infectado, através de secreções respiratórias. O período de incubação é de 7 a 10 dias após a exposição e, o de maior transmissibilidade, de uma a duas semanas após o início das manifestações respiratórias e instalação dos surtos de tosse (correspondente à fase catarral).

A imunidade, adquirida após infecção ou após imunização com, no mínimo, três doses DTP (vacina combinada contra B.pertussis, toxóide diftérico e tetânico), é transitória.

Embora seja uma doença típica da infância (cerca de 60% dos casos ocorre em crianças abaixo de cinco anos de idade), reinfecções ou primo-infecções em adultos desempenham um papel importante na epidemiologia da doença. Em comunidades susceptíveis, taxas de ataque secundário a um caso índice podem chegar a 100%.

O diagnóstico precoce é essencial para limitar a severidade da infecção e minimizar a transmissão.

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL POR PCR

A utilização da PCR - Polymerase Chain Reaction, apresenta vantagens sobre as demais técnicas disponíveis para o diagnóstico laboratorial da B. pertussis. Entre estas, a cultura, a pesquisa direta de anticorpos por fluorescência em aspirado de nasofaringe e a de anticorpos específicos por enzimaimunoensaio ou Western blot apresentam limitações de sensibilidade, tempo de execução, falta de padronização e necessidade de amostra pareada para comprovar a infecção.

A cultura é altamente específica, mas, além de requerer, em média, quatro dias para crescimento e identificação da B.pertussis, apresenta baixa sensibilidade quando comparada com a PCR. Diversos estudos comparativos, realizados por diferentes autores, mostraram uma sensibilidade média de 63% (15% - 85%) para a cultura e de 94% (89% - 99%) para a PCR. Outros estudos, utilizando a cultura como método de referência, reportaram uma especificidade média de 98% (97%-100%), valor preditivo positivo e negativo médios de 90% (84%-95% e 81%-99% respectivamente) para a PCR.

Por sua elevada sensibilidade, a PCR está recomendada para pacientes com alta probabilidade de estar cursando uma infecção por B.pertussis. Considerando que a PCR não distingue entre infecção atual e pregressa (portadores), resultados positivos para PCR em indivíduos assintomáticos ou com sintomatologia leve devem ser interpretados com cautela.

A possibilidade de um diagnóstico rápido, e a elevada sensibilidade e especificidade contribuem para que a PCR seja considerada como técnica de eleição para o diagnóstico precoce da infecção por B.pertussis.


TÉCNICA UTILIZADA E RESULTADOS

A pesquisa de B. pertussis é realizada através de PCR em amostras do trato respiratório (como as obtidas por aspirado de nasofaringe e por swab de orofaringe) e o resultado é expresso como positivo ou negativo para presença do DNA de B. pertussis.
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LEITURAS SUGERIDAS

1) Ieven, M. et al. Relevance of nucleic acid amplification techniques for diagnosis of respiratory tract infections in the clinical laboratory. In: Clinical Microbiology Reviews. 10(2): 242-256, 1997.

2) Lingappa, J. et al. Diagnosis of community-acquired pertussis infection: comparison of both culture and fluorescent-antibody assay with PCR detection using electrophoresis or dot blot hybridization. In: J Clin Microbiol 40(8) :2908-2912, 2002.

3) Loeffenholz, M. et al. Comparison of PCR, culture, and direct fluorescence-antibody testing for detection of Bordetella pertussis. In: J Clin Microbiol 37(9) :2872-2876, 1999.
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Autor: Vlademir Cantarelli
...........Fabiana Pereira
Contato: vcantarelli@weinmann.com.br
..............fpereira@weinmann.com.br

Data: Janeiro-Fevereiro/2004
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