Identificação de Anticoagulante Lúpico: Comparação da Frequência de Casos através da Técnica Manual e com Kit Comercial

INTRODUÇÃO

O anticoagulante lúpico (LUP) pertence a uma família de autoanticorpos, IgG, IgM, IgA ou misturas, designados anticorpos antifosfolipídios, ou anticorpos com afinidade a complexos de fosfolipídios como beta-2-glicoproteína 1 ou fatores da coagulação. Foi inicialmente identificado em pacientes com Lupus eritematoso sistêmico - LES. A presença de LUP está associada a diferentes manifestações clínicas, como trombose arterial e venosa, complicações obstétricas como abortos expontâneos e de repetição, trombocitopenia, síndromes renais e manifestações cutâneas. Normalmente é detectado com testes de coagulação sensíveis aos fosfolipídios, utilizando cefalina, tromboplastina diluída (dTP) e RVVT.


OBJETIVO

Comparar a sensibilidade de detecção de LUP entre a técnica manual, que utiliza três fontes de fosfolipídios e de um kit comercial.

Foram analisados 361 pacientes com investigação para LUP através da técnica manual e 298 com o kit comercial. As duas técnicas consistiam na determinação do TTPA com três fontes diferentes de fosfolipídios: cefalina, dTP e RVVT. A técnica manual foi realizada em banho-maria e tinha o RVVT diluído no próprio laboratório. A técnica comercial utilizou kit LA1/LA2(Dade Behring) aliado a cefalina e dTP e foi realizada através de automação. Os resultados foram comparados pelo teste de comparação binomial entre proporções (p<0,05).


RESULTADOS

Na avaliação pela técnica manual a freqüência de LUP foi de 4,71% enquanto que pela técnica comercial foi de 2,01%. Na comparação dos resultados não foi observada diferença significativa (p = 0,0561).

Manual

Comercial

N

Pos

%

N

Pos

%

361

17

4,71

298

6

2,01



DISCUSSÃO E CONCLUSÕES

Parece haver uma tendência de maior sensibilidade de detecção de LUP através da técnica manual, ou uma maior especificidade da técnica comercial, podendo ser confirmada com a ampliação do tamanho amostral. As duas técnicas mostraram-se adequadas para a identificação da presença de LUP. A utilização da automação permite a otimização da rotina com ganho na precisão dos resultados. Entretanto, a técnica manual ainda é uma alternativa confiável e de baixo custo para esta investigação.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

RODGERS, G. M. Acquired Coagulation Disorders, In LEE, G.R. et al Wintrobe’s Clinical Haematology. 11ª ed. Willians & Wilkins, 2004.
TRIPLET, D.A . Lupus Anticoagulant Testing, In ROWAN, M. R. et al Advanced Laboratory Methods in Haematology. 1ª ed. 2002.