Incorporando Conceitos de Capabilidade e Métrica-Sigma aos Indicadores de Processo no Laboratório Clínico

INTRODUÇÃO

A filosofia seis sigma propõe a existência de uma correlação direta entre o número de produtos com defeitos, percentual do faturamento desperdiçado com esses defeitos e o nível de satisfação do cliente com o nosso produto ou serviço. A métrica sigma, dessa forma, demonstra o grau no qual qualquer processo se desvia de sua meta, isto é, a capacidade do processo em gerar produtos dentro das especificações pré-definidas. Um processo com métrica-sigma igual à 6,0 não produz mais que 3,4 defeitos por milhão de oportunidades, onde defeito é definido como qualquer característica do produto fora das especificações percebidas pelo cliente.

Em termos de controle estatístico do processo, existe outra forma de verificar o nível de desempenho de um processo em atender a uma determinada especificação, através dos índices de capabilidade. Capabilidade é a capacidade do processo em produzir itens conformes, isto é, de acordo com as especificações. Cpk é um índice de capabilidade do processo que fornece informações referentes à variação e centralização do processo frente a especificações pré-definidas.

No laboratório clínico, vários processos críticos devem ter sua performance constante monitorada, o que é realizado através de indicadores pré-estabelecidos. Um indicador geralmente monitorado é tempo, relativo ao atendimento do cliente e/ou tempo de processamento de amostras e liberação de resultado. No presente estudo, utilizamos o indicador de tempo de processamento e liberação de resultados para um exame laboratorial (hCG) como exemplo para propor modificações nos indicadores de processos laboratoriais, visando aprimorar as informações fornecidas por estes itens, através de maior significância estatística dos dados processados.

OBJETIVO

O presente estudo visa aprimorar os indicadores de desempenho utilizados no laboratório clínico, conferindo maior significância estatística a estas medidas de desempenho, através da incorporação da métrica sigma e índices de capabilidade (Cpk).

Buscamos nesse trabalho, portanto, avaliar criticamente a aplicabilidade de índices de capabilidade e métrica sigma em indicadores de processo no laboratório clínico.

CASUÍSTICA E MÉTODOS


Utilizando como exemplo o indicador de tempo de processamento e liberação de resultado do exame hCG para uma das unidades de atendimento do Weinmann Laboratório, foram calculados índice de capabilidade potencial do processo (Cpk) e correspondente métrica sigma do referido processo. A especificação do processo foi definida como 120 minutos e meta de desempenho em 4,44 sigma (Cpk 0,98). Durante dois meses, gráfico de indicador de desempenho do processo utilizando métrica sigma e Cpk foi acompanhado em paralelo e comparado ao indicador de desempenho padronizado atualmente na rotina. O indicador atual do processo consiste em gráfico tipo série temporal (mensal) com plotagem do percentual de atendimento à meta pré-estabelecida (Meta: 85% dos resultados dentro da especificação de 120 minutos).

Objetivando mais dados sobre o desempenho do processo estudado e visando ter informações mais fidedignas para análise mais acurada da melhoria proposta no indicador em questão, o processo para o exame hCG foi amplamente analisado. Esta análise consistiu de elaboração de fluxograma para o processo completo, coleta de dados por fases e análise estatística dos dados obtidos. O processamento estatístico dos dados foi realizada através do software Minitab.

RESULTADOS






DISCUSSÃO E CONCLUSÕES


No modelo de indicador e meta atual, o processo teve desempenho excelente, com somente 1 resultado fora da meta especificada em 100 resultados liberados (99% de adequação à meta). Com o novo indicador e meta mais rígida de desempenho, considerando a distribuição dos dados durante o período e calculando o desempenho esperado a partir destes dados em 106 resultados a serem liberados (base de cálculo da métrica sigma), o desempenho também foi satisfatório, visto que o Cpk foi 1,18 (meta 0,98) e nível sigma 5,04 (meta 4,44). Analisando o efeito das modificações no modelo de indicador, podemos concluir que a incorporação de índice de capabilidade e métrica sigma ao tradicional modelo de indicador permite atuação preventiva sobre o processo, viabilizando intervenção no processo antes que um desvio na tendência de desempenho do mesmo possa significar impacto real ao cliente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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PEREZ-WILSON, M. Six Sigma: understanding the concepts, implications and challenges. 1998.
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ROTONDARO,R.G. Seis Sigma – Estratégia gerencial para a melhoria de processos. Atlas, 2002.

BERLITZ F.
Weinmann Laboratório - Porto Alegre,RS
fberlitz@weinmann.com.br